No primeiro sorteio de ingressos para a Copa do Mundo de 2014, pedi ingressos para 7 jogos, mas fui sorteado para apenas 2. Depois do sorteio dos grupos, descobri que uma destas partidas seria Colômbia X Costa do Marfim.

Em termos de quantidade, realmente tive pouca sorte. Mas, quanto à qualidade das partidas, o acaso me preparou uma bela surpresa.

Visão do meu assento no Estádio Mané Garrincha

O ingresso que comprei para este jogo era de Categoria 4. Estes bilhetes são vendidos pela FIFA apenas para residentes no país-sede da competição a preços mais atrativos.

Em tese, não são os melhores lugares do estádio. Mas, para mim, assistir a um jogo de Copa do Mundo atrás do gol foi sensacional por 2 motivos.

Primeiro, porque a arquibancada inferior é mais perto do gramado. Então, para se ter uma visão do campo melhor do que a minha, só comprando ingressos de Categoria 1, os mais caros de todos.

Segundo, porque é ali que o grande momento do futebol acontece. Há uma grande chance de você ver o gol bem na sua frente.

No meu caso, vi os dois gols da vitória colombiana no meu lado do campo.

Jogadores da Colômbia comemoram gol junto ao banco de reservas

Brasília, cidade-sede

Este foi o meu primeiro jogo de Copa do Mundo no Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília. Na primeira rodada, assisti a França X Honduras, em Porto Alegre, experiência contada no “Histórias de Torcedor” de dezembro.

A arena foi reconstruída para a Copa do Mundo, ficando com 69.354 lugares. Brasília recebeu 7 partidas do Mundial.

Após a Copa, o estádio teve o seu uso bastante reduzido devido ao fraco futebol do Distrito Federal. Mas, em 2014, os torcedores de todos os países viram a imponência do estádio.

Chegada ao Estádio Nacional Mané Garrincha em 19/06/2014

A cidade se preparou para a Copa ao seu modo. Os torcedores foram instruídos a não irem de carro ao estádio.

Foram preparados estacionamentos em um raio de 2 quilômetros da arena. A partir destes pontos, foram disponibilizados ônibus gratuitos até a arena.

Neste jogo, eu escolhi ir de transporte público até a Rodoviária do Plano Piloto (bem no centro da cidade). Dali, partia uma das linhas especiais que deixavam a torcida bem perto do Mané Garrincha.

Muitos preferiram fazer o trajeto a pé, aproveitando a vista do Eixo Monumental, avenida que corta Brasília de leste a oeste. O trajeto caminhando levava cerca de 20 minutos.

Chegando lá, a pé ou de ônibus, o que se viu foi uma grande festa colombiana.

Torcida colombiana em grande maioria no estádio

O jogo Colômbia X Costa do Marfim

A partida teve dois tempos bem distintos. A maior parte da torcida era colombiana e tentava empurrar sua equipe para cima.

No início da partida, houve algumas boas chances de gol, mas sem sucesso. A equipe africana emparelhou o jogo, mesmo sem sua principal estrela, Drogba, que começou no banco.

Costa do Marfim deu o pontapé inicial e segurou o empate no primeiro tempo

Ao longo do primeiro tempo o jogo ficou bastante equilibrado e o time de Costa do Marfim conseguiu manter o zero a zero no placar.

Já na segunda etapa, o jogo foi muito mais aberto. As chances de gol se alternavam entre as equipes.

Quem abriu o placar foi o grande nome da seleção colombiana naquela Copa: James Rodríguez. Após cobrança de escanteio, ele cabeceou para o gol.

Colômbia aproveitou o contra-ataque para vencer a partida

Costa do Marfim, já com Drogba em campo, tentou empatar, mas sofreu o segundo em um contra-ataque.

Quintero invadiu a área em velocidade e ampliou a vantagem dos colombianos.

Logo em seguida, Gervinho fez o primeiro da seleção marfinense.

Os companheiros de Drogba ainda tentaram o empate até o fim, mas defesa colombiana não permitiu. A vitória garantiu a classificação dos sul-americanos com antecedência.

Marfinenses ainda tentaram empatar até o fim

O que a TV não mostra

Quem entrava no estádio poderia imaginar que se tratava de um jogo do Brasil, tamanho o número de camisas amarelas nas arquibancadas.

Mas bastava ouvir o canto da torcida para se dar conta que os visitantes falavam espanhol.

A pequena torcida da Costa do Marfim tentava apoiar como podia, mas não era ouvida. Dezenas de milhares de colombianos monopolizavam o som ambiente do Mané Garrincha.

Seleção colombiana agradece o apoio da torcida ao fim do jogo

Quando as equipes entraram em campo, eu tive a certeza de ter aprendido algo muito importante sobre uma Copa do Mundo.

Apesar do que sentimos vendo pela TV, não se trata apenas do seu país. Não são apenas jogos do Brasil e a torcida pelo hexa.

Em um estádio de Copa, como o Mané Garrincha daquela tarde, percebe-se que o mundo inteiro está reunido em um grande congraçamento que só o futebol proporciona.

Filmei esta entrada em campo e o hino cantado pelo Estádio Nacional de Brasília (que parecia mais o de Medellín) sem saber o que me esperava.

Dê o play e tente sentir o que os 68.748 presentes ao jogo sentiram.

 

A cidade: Brasília.

O estádio: Mané Garrincha.

A partida: Colômbia X Costa do Marfim.

O dia: quinta-feira, 19 de junho de 2014.

Este foi mais um texto da série Histórias de Torcedor. Todo mês um novo artigo será postado mostrando como é estar na arquibancada em um jogo de Copa do Mundo.

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A série Histórias de Torcedor volta em fevereiro.